verdade viva °°°: maio 2007

28.5.07

Catou pelo canto uma camiseta branca com pequenas borboletas coloridas bordadas e preferiu um velho e desgastado short jeans. Pôs a sandália de dedo marrom e pela primeira vez sentiu o vento frio que representava o início da noite envolvendo seu corpo. Depois de alguns meses Isabel estava saindo do seu casulo. Caminhou até uma rua sem saída onde pessoas sem nenhuma razão de tristeza balançavam seus corpos num frenetismo espantador ao som de músicos com seus instrumentos de sopro. Isabel fixou sua atenção num rapaz de olhos verdes, rosto quadrado e de expressão forte que demonstrava não ter mais que seus 26 anos e alguns dois meses de vida.

12.5.07

Porém, antes que fosse capaz de abrir seus olhos tateou seu corpo. Ainda era humana. Tocou a superfície onde outrora estava a agonizar e não mais estava no céu. Vagarosamente abriu os olhos e finos fios de luz fizeram arder sua retina. Levantou-se lentamente e resolveu sorrir para um pequeno e velho espelho ao lado da sua cama, achou-se estranhamente cheia de cor. Concentrou-se à fim de sentir novamente o cheiro de mar que momentos antes a possuíra, porém só sentia o leve perfume de lírios que seus cabelos exalavam. A partir daí começou a acreditar que não era a sua verdadeira imagem que estava a ver. Isabel transformara-se num sinuoso ponto de interrogação.

10.5.07

Agozinou de tal forma que alcançou o céu. Novamente viu-se dançando ciranda, embalada por canções de amor, e notou atrás de uma pequena nuvem um peixe amarelo e marrom (era mais amarelo que marrom) e imaginou se estava delirando. Estava com medo de mais uma vez acordar e perceber que, Não! Não estava apaixonada por um belo peixe. Estava agora duplamente apaixonada pelos mais belos e enigmáticos peixes que já vira em sua vida! Isabel esforçou-se para não acordar e rolou pelo chão num êxtase de loucura. Em vão.

8.5.07

Acordou com um gosto salgado na boca, os cachos exalando maresia, inspirou profundamente e expirou bolhas de alegria. Isabel nunca havia sentido-se assim antes. Levantou um pouco tonta devido a mudança brusca de pressão e levou uma grande queda ao tentar se levantar. Agora estava sentindo uma certa falta de ar, e com a pele um pouco ressecada começou a agonizar.