verdade viva °°°

14.9.13

São Miguel do Gostoso é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte, localizado no litoral norte e fica a 102km da capital do estado, Natal.


No início não me animei muito de ir passar o fim de semana na praia porque eu já tinha visitado Gostoso no início do ano, e mesmo tendo achado maravilhosa minha estadia por lá, achei dessa vez que poderia aproveitar o fim de semana para conhecer algum lugar diferente, ou ir pra uma serra e fugir um pouco desse cenário de praia por vezes tão rotineiro. Ao mesmo tempo eu sabia que seria um fim de semana tranquilo com o meu noivo e a família dele e que saberíamos aproveitar de toda forma.



Saímos em dois carros numa tarde de sexta-feira. No carro do Judson íamos nós dois e a Marcinha e o Gerlan, casal lá de São Mateus que veio passar uns dias conosco e conhecer a famosa cidade do Sol, apesar de terem chegado em meio a um pé d'água incomum para a época. No carro do meu sogro iam ele e sua companheira Bela, meu cunhado Junior e sua esposa Izabelita e meu sobrinho de coração, o bebê Heitor, com um aninho e três meses.



Pausa no caminho para comprar frutas pro Heitor. Pena que a variedade de frutas não estava tão interessante a ponto de encantar o casal capixaba.



feirinha de frutas de Extremoz-RN


Ao chegar em Gostoso (no pôr-do-sol), fomos diretamente ao albergue em que tínhamos feito as reservas - Albergue da Jangada - que fica na praia Ponta do Santo Cristo. Fomos muito bem recebidos pela Elaine e descarregamos nossos pertences em nossos respectivos aposentos. Em seguida: cerveja, claro. 


Albergue da Jangada - São Miguel do Gostoso

no corredor do albergue. 

Heitor de boa no espaço de leitura do albergue.

Optamos por jantar no La Brisa, um restaurante que definitivamente te lembraria o oceano. Com uma decoração criada por quem aparenta ser um velho marujo saudoso do mar - Seu Leonardo. Fotos de embarcações, bóias de navios, lemes e outros artefatos típicos de quem gosta de navegar, além de algumas citações estampadas nas paredes do local, como a de Caymmi "O mar. Quando quebra na praia. É bonito, é bonito."

Pedimos os pratos chefes da casa: arroz de polvo e peixe ao molho de camarão. Recomendadíssimo.

arroz de polvo e peixe ao molho de camarão.

na parede do la brisa uma decoração que só lembra mar.


Para a sobremesa fomos à creperia Madame Chita, um bistrôzinho bem aconchegante em frente à praia do Maceió. Eu e o Dudo já tínhamos provado o crepe de doce de leite com banana no início do ano e não hesitamos em pedí-lo novamente.



crepe de banana com doce de leite e uma bola de sorvete pra ficar perfeito.

A noite já avançava quando fomos informados pelo vigia do albergue sobre uma festinha que tava rolando no Jack Sparrow Restaurante & Bar, a uns, sei lá, 50m do albergue, em frente à praia. Fomos conferir, como bons brasileiros e adoradores de festas que somos. Um clima bem legal, uma galera zen. Até fiquei meio nostálgica de uma vida despreocupada de praia, fogueiras, bons drinks e boas amizades que ficaram lá atrás. Ouvimos clássicas faixas dos vinis do Chico, do Caetano, do Jorge, dos Mutantes, da Nação, etc. Fiquei um bom tempo observando as meninas sentadas em volta da fogueira, debaixo de um céu estrelado, conversando e sorrindo com seus cigarros de palha. Aposto que ficaram até amanhecer.

video
um trechinho de como estava a discotecagem no Jack Sparrow.


O café da manhã seria servido até as 10h. Levantei da cama as 9h30. A tapioca com queijo, feita na hora, estava tão hummmmm.
Descemos para a praia basicamente na hora do câncer. O bebê Heitor já tinha aproveitado o sol bem cedinho e eu e o Dudo acabamos não aproveitando a praia com ele.


Fomos almoçar na praia da Xêpa. Pedimos peixe frito e camarão verdadeiramente grande no restaurante Golfinho Azul. E, claro, cerveja geladinha.


camarão verdadeiramente grande.

Voltamos ao albergue para encontrar o Christyan e a Fernanda com suas três crianças: Helena (8), Manuel (6) e João (10).


todo mundo junto. detalhe pro Manuel fofo todo emburrado.


A melhor parte do fim de semana vem agora: fomos para Tourinhos ver o pôr do sol. Aliás, foi o pôr do sol mais lindo que já vi. Uma praia quase deserta, um sol dourado e gigante indo embora dando espaço à noite que caía. Não sei exatamente se ele se põe no mar, mas a impressão que temos da ponta da praia de Tourinhos é exatamente essa. O sol entrega às águas seu brilho, que de tão iluminadas que ficam, seria impossível sair daquele lugar sem estar repleta de energia, sem se sentir renovada.




à caminho de Tourinhos

primeira imagem da praia de Tourinhos

enquanto o sol ia baixando devagar

vista da praia de cima da falésia

viva!

nós capturados pela gopro

banho ao pôr do sol

obrigada, meu Deus!

De volta ao albergue continuamos com a boa disposição de secar o isopor das cervejas até lembrarmos de sair pra jantar. Tentamos ensaiar algo com a sanfona e o violão, mas acabamos escolhendo sair para comer a pizza (da massa fina) lá do Spaço Mix.


O domingo amanheceu um pouco nublado, acabamos fazendo o checkout relativamente antes da hora prevista e fomos almoçar na Urca do Tubarão ouvindo as histórias divertidas do professor Edson Nobre que nos apresentou sua cachaçaria e suas antiguidades, como a geladeira a querosene, a caixa registradora, os vinis feito quadros nas paredes, etc.

telefone antigo e vinil do Luiz Gonzaga, no restaurante Urca do Tubarão.

Dudo provando a cachaça da Urca do Tubarão, e ao fundo, a caixa registradora azul.



Nos separamos do comboio que resolveu partir direto à Natal e eu e o Dudo fomos levar a Marcinha e o Gerlan até o Farol de Touros (ou, Farol do Calcanhar) e também optamos por dar uma passadinha no parque eólico pra que eles também pudessem tirar fotos. Quando finalmente pegamos a estrada de volta à Natal, já passava das 16h. 

Farol do Calcanhar

Parque Eólico



Por fim, São Miguel do Gostoso nunca deixa a desejar. Pode sempre ser considerado o destino ideal quando se procura um final de semana pra relaxar. Não sei até quando vai ter essa característica de vilarejo pacato, então, vale à pena deixar a Pipa um pouco de lado e ir conferir como tudo por lá pode, na vera, ser gostoso.

 



31.12.12

Bye, bye, 2012!


Ao infinito e além!

É, fazendo um balanço bem imperfeito, 2012 pra mim foi um ano em que a minha força foi posta à prova em diversas situações.
Não foi fácil (não é fácil) ter que conviver dia após dia com a saudade. Uma das pessoas mais fundamentais na minha vida, que é meu namorado, mora em outro Estado, em outra Região do país. E por mais que a gente sempre tente arranjar uma maneira de se ver, a gente nem sempre consegue.
A minha ansiedade também não contribui para que o meu estado de espírito seja sempre de alegria.


Esse ano tive a oportunidade de conhecer dois lugares novos, que eu nem sabia que existia: Catu, na Bahia e São Mateus, no Espírito Santo. De quebra estive novamente em Salvador, terra espirituosa, de axé. Também conheci duas bases do Projeto Tamar: uma na Praia do Forte-BA e outra em Guriri-ES.

Projeto Tamar - Praia do Forte-BA
Projeto Tamar - Guriri

Os dias em que viajo pra visitar meu namorado são dias de paz. São dias em que me sinto completa.

Em 2012 trabalhei exclusivamente como fotógrafa, e um pouquinho como empresária. Recebi um convite de uma grande amiga de começar um brechó de roupas, que foi e tem sido uma experiência muito bacana, e que me trouxe uma nova amiga já considerada muito especial.

Las Chicas Brechéo. Isa, Marina e Eu.

Repórter Fotográfica - Foto: MN
A fotografia também me levou a sentimentos extremos. Ora me sentia extremamente superficial e deslocada na minha função, ora extremamente essencial. Aprendi a ser mais criativa com os meus registros, mas a isso dou 90% de mérito ao Google, que se não existisse eu não teria achado metade das coisas legais que achei.





Em 2012 vi castelos caírem, vi mães surgirem, casamentos acontecerem e desacontecerem. 
Vi atraso de vida na companhia de algumas pessoas e vi um avanço na velocidade da luz com outras. Tentei ser melhor e percebi nisso uma redução drástica no meu ciclo de amigos. Parei mais em casa, acompanhei mais meus pais e minha família e dei muito mais valor a uma ida à praia.

dias de sol e mar

Ganhei mais dinheiro que o ano passado e gastei mais também. Não poupei muita coisa, e termino o ano satisfeita com relação a isso.
Li menos e escrevi menos, lamentavelmente assumo.

Em 2012 tomei uma decisão muito importante, pensamento de anos anteriores, que era entrar numa nova graduação e incrivelmente poucas pessoas sabem disso. E quando sabem me perguntam: - Como você não me contou isso antes?
Olha, eu não estive perdida. O meu celular é o mesmo desde 1999. Então segue a dica: recupere seus amigos. Seja mais presente. Não culpe os outros pela ausência deles. Cada um cuida da vida como acha que deve. Muitas pessoas passeiam pela sua vida quando convém, principalmente os amigos da noite. Quem são seus amigos que frequentam a sua casa? Que te convidam pra uma visita? Ou quem são os amigos que fazem questão de aparecer quando você solta um “estou me sentindo sozinha”?

No novo curso aprendi que existem muitas pessoas necessitadas e sozinhas no mundo. Pacientes que preferem o hospital por ter alguém que cuide deles de alguma forma, já que passaram toda uma vida sem cuidado algum. Mas também vi alguns médicos e enfermeiros desumanos, ou automatizados pelo ofício. Sorte que sempre se sobressaíam os bons profissionais, na maioria dos casos.

no hospital Santa Catarina

Em 2012 aprendi a dar mais valor às pessoas que me dão valor. Aprendi e continuo aprendendo que o amor quando maduro supera distâncias. E que jamais deve ser desrespeitado. Constatei que eu realmente amo.
te amo!

Aprendi que não se deve ter medo de mudar diante da insatisfação, principalmente quando seu salário não é bom.
Aprendi que andar de bicicleta proporciona um suave prazer de liberdade.

bike for free!

Constatei que sentar na poltrona da janela do avião nem sempre é o melhor quando se tem pressa.

Aprendi que estar só não é ser só. E que do outro lado da linha vai ter sempre alguém pensando em mim quando eu mesma esquecer de fazer isso.

Feliz 2013.
tim-tim!

4.5.12

Ler inspira.





Será que o seu desejo de ser velho desalojou totalmente sua juventude?
Será que seu sorriso se tornou tão breve, mas tão breve, que você não vê mais necessidade em acreditar na felicidade?
Como você, de ser humano tão fantástico conseguiu se transformar em alguém amargo; um mentiroso de si mesmo?!
Esqueceu o charme que poderia ter se não tentasse aparecer tanto ou se sobressair com personagens inventados, de uma mente que quer ser inquieta, que quer ser hipertensa?!

A paixão te deu um murro no estômago e você resolveu ficar no chão, agonizando, arquitetando disfarces, sofrendo influências de sei lá quem, de um inexistente sobrenatural, para chorar, para mentir. Para estar perdido.

Se eu pudesse te orientar e te ensinar a ser jovem de novo; se eu pudesse te consolar atrás de uma porta, onde pudéssemos sentar no chão para chorarmos juntos todas as angústias de ser velho... mas não posso. E acho até que nem quereria a função já que pouco me cuido.

Posso me sentir influenciada a escrever pra Deus-sabe-lá-quem-vai-ler, simplesmente porque tenho muito pouca idade pra saber tanto do mundo a ponto de não conseguir mais me deixar influenciar. Logo eu, que até um dia desses não sabia nem o nome do meu avô que faleceu bem antes de eu nascer.

Cure o seu transtorno sem culpar ninguém de tê-lo adquirido, já que você é tão esperto e tão cult. Já que você é de uma geração de pseudointelectuais (não muito diferentes da minha) que não acreditam que qualquer piada seja humor. Ou acreditam?
Se esforce pra sair dessa briga consigo mesmo em êxtase e reaprenda a gargalhar, reaprenda a crer que você pode reaprender você.

Ou se entorpeça na sua fumaça e ignore que a respira. Ignore que estar vivo pode ser útil por mais breve que isso seja.




6.4.12

Começou quando eu disse "avisa à Pretinha que domingo tou chegando pra almoçar."
Na luta diária contra a saudade e a solidão tenho que me adaptar à sanidade. Ouço o celular apitar e corro na esperança de vê-lo, mesmo que seja rapidinho - e vejo - todo o meu amor desfilando a sua paciência refinada, rebuscada, e consigo até ouvir suavemente seu sussurro "vá assistir um filme e se liberte desse tédio."

Tédio? Imagina.
Uma mulher como eu nunca cai no tédio. Sou insone por falta de tédio. Tem tanta coisa acontecendo na minha província que seria impossível que o mar do tédio viesse molhar a areia da minha praia.

A lua tá tão bonita no céu, mas eu tenho tanta coisa pra fazer que me contento em observá-la por trás das grades da janela da minha sala de estar, onde já não estou porque a TV ligada pode me hipnotizar com os seus poetas e me tomar todo o tempo que eu já não tenho.
Inclusive, se me sobrasse o tempo, poderia ensaiar as novas poses que aprendi nas revistas de eventos sociais que folheava enquanto tomava minha vitamina de Neston.

O legal foi lembrar das palavras daquele senhor careca de 64 anos (como naquela música dos Beatles) pronunciadas tão carinhosamente em minha direção.
O que foi mesmo que ele disse?

...


"Muitas pessoas devem confundir teu nome e te chamar de Andressa, não?"
"Não. É incomum confundirem meu nome. Por quê?"
"Ah, sei lá. Tu tem cara de Andressa. Quando tu sorri, o teu sorriso é tão 'A' que parece que teu nome é Andressa."

Bem, se me sobrasse tempo, depois dessa lembrança, eu me olharia no espelho, sorriria o meu 'A' e tentaria comprovar se realmente todas as mulheres que usam jeans e camiseta, que sorriem baixinho e com educação são mesmo demoníacas. Ainda espero desvendar esta incógnita ao longo do meu nada.
E quanto mais as horas passam e com menos tempo para o tédio, mais percebo as novas rugas de expressão, afinal, estou com 26 mas desde os 15 que eu tenho 70, e de inocente nesse mundo, eu bem notei que não existe nem a desculpa.